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Projeto busca a inclusão digital para jovens na Restinga, em Pernambuco

2 de Janeiro de 2018, 18:32 , por snjuventude@gmail.com - 1Um comentário | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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"De três computadores, conseguia-se montar um", diz Vanderleia dos Santos sobre o início da Tinga Reciclagem Digital. As peças vinham do  Mensageiros da Caridade para o Brique do Irmão José, na Restinga de Pernambuco, e depois para as mãos da fundadora da associação, que das peças montava um computador configurado e pronto para uso.

Vanda, como é conhecida na comunidade, aprendeu sobre os softwares de instalação e a montagem das máquinas pesquisando em sites de busca e após concretizado o projeto, cursou técnico em informática na Microlins para disseminar o conhecimento aprendido. "As crianças não tinham um local para acessar a internet na Restinga Velha, nem sabiam mexer direito. Foi então que eu percebi a necessidade de um projeto de inclusão digital para comunidade" relata.

Atualmente, a Tinga Reciclagem Digital (TRD) presta oficinas de informática, capoeira, percussão e culinária para 24 jovens em vulnerabilidade social. Eles participam de ações que os ocupam três dias da semana (terças, quintas e sextas) durante manhã e tarde, recebem alimentação e, o mais importante, estímulo. Fundada em 2011, a ONG mantém convênio com a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) há pouco mais de dois anos. Foi a partir desta relação que a TRD ampliou suas atividades para abranger oficinas culturais junto à capacitação em informática, demanda originada do Orçamento Participativo na Restinga.

A partir de doações de roupas e utensílios, são promovidos brechós solidários para ajudar na renda do projeto. Vanda afirma que a ONG passou quatro anos sem aporte financeiro de qualquer tipo, mas se manteve sempre em funcionamento: "Não podemos parar. Vemos essa gurizada ociosa, sem expectativa de futuro, e, por isso, a importância da ONG estar nesse espaço. Essa é a realidade da periferia que buscamos mudar".

A Fasc possui uma rede conveniada com mais de 150 instituições sociais parceiras e, entre elas, nove estão localizadas na região da Restinga. Cada convênio recebe uma tipificação baseada no serviço prestado e um número fixo de metas (verba) mensalmente. A TRD está classificada como um Serviço de Convivência e Fortalecimentos de Vínculos (SCFV) e recebe 24 metas ao mês. De acordo com a Fasc, não há previsão para ampliação da rede conveniada em 2018, como também não está previsto aumento nas metas das instituições.

"O objetivo para este ano que se inicia é multiplicar", contrapõe Débora dos Santos, integrante do projeto desde a fundação e vice-presidente da Associação Comunitária Núcleo Esperança. Multiplicar serviços, acolhimento de jovens, inclusão digital e geração de renda com a futura nova sede do projeto. "Conseguimos, depois de muita luta, a concessão de uma área na Restinga para a criação de um centro de descarte e reuso de materiais eletrodigitais. Nossa meta para 2018 é buscar investimentos para o projeto enquanto seguimos com as oficinas da Tinga Reciclagem Digital" prospecta Débora.

Assinado acordo em 2014, o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) cedeu um terreno ocioso de 640 m² para a entidade, localizado na avenida Nilo Wulff, mas o novo posto ainda não ganhou forma devido à falta de capital. Se estivesse em funcionamento, o centro de descarte e reuso de materiais eletrônicos seria o primeiro centro de reciclagem digital gerador de renda na zona Sul de Porto Alegre. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) realiza coletas itinerantes de materiais eletrônicos na Capital. Em 2017, foram promovidas seis ações voltadas ao recolhimento de aparelhos digitais, totalizando 958 quilos de resíduos. Porém, somente uma dessas ações aconteceu na Restinga. O DMLU também disponibiliza nove pontos fixos de coleta para esses materiais, mas eles não se situam próximos da comunidade.

Segundo Débora, o futuro empreendimento poderá gerar de 30 a 40 novos postos de trabalho para a população da Restinga e aumentar o número de jovens acolhidos pela instituição, além de contribuir para o consumo sustentável da Capital. "Nosso empecilho é a falta de verba para o projeto de arquitetura e mão de obra para a construção; os materiais estão sendo adquiridos aos poucos, mas se conseguirmos o planejamento arquitetônico eu coloco os tijolos nas costas e construo nossa nova sede", brinca Vanda. As mulheres da TRD não desanimam frente à crise financeira e projetam um 2018 de expansão, mas também de muito trabalho, luta e resiliência. "A gente tem que fazer, não existe outra alternativa. Os jovens e famílias da Restinga Velha dependem desse projeto. Quando a gente se importa, não tem como ficar parada", dizem em coro.

 

Com informações do  Jornal do Comércio


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