Ir para o conteúdo
ou

 

COMPARTILHE:

Brasil Mais Jovem

Tela cheia Sugerir um artigo
 Feed RSS

Notícias

16 de Julho de 2014, 7:34 , por Desconhecido - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

Amapá representará região Norte na última audiência pública do novo PNJ

16 de Janeiro de 2018, 17:18, por snjuventude@gmail.com - 0sem comentários ainda

Whatsapp image 2018 01 16 at 16.19.48

A última audiência pública para discutir o novo Plano Nacional de Juventude ocorrerá na região Norte, no próximo dia 19. O estado escolhido para representar a região foi Amapá. O evento será realizado pela Secretaria Nacional de Juventude na Universidade Estadual do Amapá. Participarão da audiência representantes da Assembleia Legislativa do estado, da Câmara Municipal de Macapá e outros secretários de estado, além do governador do estado Waldez Góes.

A Secretária de Juventude do Amapá Joelma Santos explica que a audiência pública é um desafio, porém é uma chamada para a juventude local discutir o instrumento histórico que é o Plano Nacional. “Estamos organizando um ambiente para que o debate aconteça de forma ampla e democrática e para que também a juventude exerça esse papel de protagonismo nas propostas de políticas públicas que serão fruto do Plano”, explica Joelma.

O Secretário Nacional de Juventude Assis Filho reforça a necessidade da atualização do Plano Nacional de Juventude como forma de assegurar o cumprimento de direitos garantidos pelo Estatuto da Juventude. “A história das políticas públicas para a juventude no Brasil é recente, mas os programas lançados pelo governo durante os últimos anos provaram que, ao promover oportunidades para brasileiros entre 15 e 29 anos, o país cresce como um todo. Após 12 anos em tramitação na Câmara, a atualização do Plano Nacional de Juventude representa uma grande conquista”, pontua o secretário.

Entenda a atualização do Plano Nacional de Juventude

De acordo com a SNJ, o texto do PNJ necessitava de ajustes, por conta de diversas transformações históricas e políticas ao longo dos anos, já que o Plano data de 2004. Para isto, uma consultoria feita em parceria com a Unesco produziu uma minuta, alinhada com os 11 eixos temáticos do Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/13), levando em consideração as resoluções das três Conferências Nacionais de Juventude (2008/2011/2015), os dados do Mapa da Violência 2016, entre outros estudos.

O Plano Nacional de Juventude (PNJ) integrará o Sistema Nacional de Juventude e foi proposto a partir da percepção de que é responsabilidade do Estado garantir que os direitos de jovens com idade entre 15 a 29 anos sejam cumpridos. Entre esses direitos, estão a participação política e o acesso às políticas públicas. No processo de construção do texto original do PNJ, a Câmara dos Deputados realizou 27 audiências públicas em todo país por meio da Comissão Especial sobre Juventude. Ao final do processo, foi apresentado ao público o texto do PL 4530, que, apesar dos esforços investidos em sua elaboração, tramita na Câmara há 12 anos.

Serviço:

Região Norte
Data: 19/01
Hora: 08h
Local: Universidade Estadual do Amapá - Avenida Presidente Vargas, 650 - Bairro: Centro. Macapá-AP.



Coordenadora-geral da Seppir fala sobre racismo institucional

16 de Janeiro de 2018, 14:34, por Mariana Lozzi Teixeira - 0sem comentários ainda

B6e9f1fe c007 4ac3 9a41 786061b430c8

O Brasil ainda carrega a marca assombrosa da violência contra as mulheres. Só para se ter uma ideia, 12 milhões de mulheres sofreram algum tipo de ofensa verbal em 2016. 5,2 milhões foram assediadas ou humilhadas publicamente no transporte público. 4,4 milhões sofreram violências físicas como tapa, chute ou soco. 1,4 milhões foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento. Em 61% dos casos, as agressões e ofensas foram feitas por conhecidos.

Os dados fazem parte da pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Instituto DataFolha com o apoio do Instituto Avon e do Governo do Canadá.

Mulheres negras foram as principais vítimas em todas as questões relacionadas a assédio em espaço público. Cerca de 43% das mulheres negras entrevistadas, relataram que foram assediadas na rua, transporte público ou ambiente de trabalho, enquanto 35% das mulheres brancas afirmam que viveram este tipo de situação. A pesquisa também relata que as negras foram mais abordadas agressivamente em festas e beijadas à força do que as mulheres brancas.

O Poder Público, as empresas, entidades públicas, privadas e a sociedade já começaram a reconhecer que a violência contra as mulheres precisa ser tratada com rigor. Tivemos avanços nos últimos anos, com a criação da Lei Maria da Penha, com o Disque-Denúncia, com a criação de delegacias específicas no atendimento às mulheres vítimas de violência. Essas iniciativas, porém, ainda não são eficientes ao ponto de reverter os dados de forma definitiva.

Em entrevista à Revista Brasil Mais Jovem, a coordenadora-geral de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Gabriela Cruz, fala sobre sua história de luta contra o racismo e dos desafios que o Brasil precisa enfrentar para mudar essa realidade.

(B+J) Como é ser jovem negra no Brasil?
A mulher jovem e negra já nasce enfrentando as barreiras impostas pelo racismo institucional. Vivemos em um país que ainda é marcado por muitas desigualdades. A maior parte delas se relacionam com questões de raça e classe, sendo que as duas, devido à nossa história, estão intimamente relacionadas. A cor da pele, infelizmente, impede o cumprimento de direitos garantidos constitucionalmente, e a imposição dessa barreira independe da classe social a que a mulher em questão pertence. O fato de ser negro já é um condicionante que, não raramente, nos deixa aquém das políticas públicas. A Seppir tem um papel fundamental nesse enfrentamento do racismo institucional. Ela foi criada exatamente para combater essa forma de discriminação, que é marcada pela sutileza, pela não obviedade, e que permeia todas as instituições. Nós trabalhamos na criação de políticas públicas, para acompanhar, monitorar e promover ações de enfrentamento em todas as esferas de poder, com foco na promoção de política efetiva em prol da população negra.

Como é possível erradicar ou combater essas desigualdades?
Nós trabalhamos no âmbito das ações afirmativas, que são ações de reparação. Esse tipo de postura é fundamental para a conquista de igualdade de direitos e oportunidades, porque o racismo institucional é uma barreira que deve ser enfrentada, e esse enfrentamento se dá na forma da ocupação de espaços que durante séculos foram ocupados majoritariamente ou até exclusivamente por pessoas brancas. Quando se fala em emprego, em oportunidade de trabalho, ainda existem barreiras de acesso dentro das empresas, tanto de órgãos públicos, como de privados. Muitas vezes falam que o negro não tem a qualificação, a capacitação necessária para desempenhar determinada função, e usam como argumento o baixo nível de escolaridade que acompanha a população negra mais do que branca. Queremos inverter esse processo, desconstruir o preconceito que, ao reconhecer a ausência de direitos fundamentais em determinados grupos da sociedade, priva as minorias de oportunidades e acaba por contribuir para a manutenção da desigualdade social e do racismo institucional. Estamos na luta pela desconstrução dessa “cultura” que permeia o mundo empresarial. Mesmo com formação e qualificação, sabemos que conquistar oportunidades tão básicas, tão fundamentais pode ser exaustivo, devido à necessidade de se auto-afirmar constantemente, além de provar competência e competitividade. A educação e os regimes internos das empresas precisam mudar, superar as práticas conservadoras e trabalhar para a melhor implementação e monitoramento de ações afirmativas de acesso da população à oferta de vagas, de oportunidades de trabalho.

Para a mulher esse caminho é mais difícil? Já que, além do racismo institucional, existe a questão do machismo no mercado de trabalho?
Sem dúvidas. O machismo e o racismo são uma dupla opressão. As mulheres negras ainda arcam com alguns estigmas intimamente relacionados com os mecanismos de dominação e submissão associados a elas desde os primeiros momentos da nossa história. Esses mecanismos envolvem, se não a violência física, a psíquica e emocional. O Mapa da Violência de 2016, da autoria de Julio Jacobo Waiselfisz, que conduz um estudo dos homicídios por armas de fogo no Brasil, demonstra o aumento do número de registros de violência contra a mulher negra ao longo do tempo. É preciso frisar que essa violência não é somente física. É moral, psíquica, sexual, e pode ser muito sutil. Várias pesquisas apontam essa triste realidade. Temos convicção que um dos maiores problemas no enfrentamento do racismo institucional é a falta de transversalidade de políticas de inclusão, visto que esse diálogo é fundamental na promoção de ações afirmativas e no seu sucesso. A Seppir tem feito um trabalho muito efetivo nesse sentido, principalmente na capacitação de profissionais em diversas áreas. Nós estamos fazendo acordos de cooperação e trabalhos em parceria para combater o preconceito racial em suas mais variadas formas, com suas múltiplas faces e facetas. Temos, por exemplo, um canal direto de denúncia dentro da Seppir. É a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, que acolhe vítimas de racismo e/ou intolerância religiosa por meio de denúncias anônimas.

Ainda hoje muitas mulheres são vítimas de assédio sexual. Como enfrentar esse problema?
As mulheres negras continuam a carregar as marcas do racismo estrutural, o corpo delas ainda é visto como espaço público, como se fosse mais disponível do que o das demais mulheres. É um corpo mais vulnerável à sexualização, seja por parte da mídia ou de indivíduos do sexo masculino, o que indiretamente as torna mais propensas a sofrer assédio sexual e outras violências decorrentes disso. Essa reflexão sobre a imagem das mulheres também é uma parte importante do enfrentamento a estereótipos discriminatórios e racistas que autorizam essas violências e agravantes. É triste constatar, mas o Brasil ainda carrega uma carga histórica escravagista de subalternidade e objetificação que reforça as práticas discriminatórias. O Mapa da Violência de 2016 mostrou que os homicídios de mulheres brancas haviam diminuído 10% na década anterior, ao mesmo tempo em que o assassinato de mulheres negras havia crescido 54% no mesmo período. Nesse contexto, podemos afirmar que as mulheres negras têm menos acesso aos bens públicos e menos condições financeiras. A Seppir é responsável pela diminuição desses abismos e está trabalhando no acompanhamento, formulação, implementação e monitoramento das políticas públicas, de forma a garantir a transversalidade e o enfrentamento ao racismo institucional e a desigualdade de gênero.

Qual o papel da juventude na luta contra a discriminação racial?
Vimos que os jovens possuem uma capacidade imensa de inovar e enfrentar desafios, além de pensar a realidade de forma lúcida e inovadora. Diante destes atributos típicos da juventude, percebemos a necessidade de construir políticas públicas com a participação dos jovens como protagonistas e porta vozes de suas vivências e particularidades. A juventude brasileira está avançando na contribuição dessas mudanças e se destaca na formação de grupos, coletivos culturais, projetos de comunicação comunitária e diversos outros movimentos que compartilham a capacidade de enfrentar as barreiras do preconceito e do racismo. Temos o compromisso de reconhecer o protagonismo desses jovens, e, para combater a discriminação racial, é necessário educar para o respeito e a diversidade, assim como acolher e escutar esses meninos e meninas diante da suas experiências pessoais e intransponíveis. O Juventude Viva é uma das ações mais relevantes do Governo Federal, no sentido de reduzir a vulnerabilidade dos jovens em situações de violência física e simbólica.

Como o Plano Juventude Viva pode contribuir para a erradicação do racismo?
Segundo o Índice de Homicídios na Adolescência, lançado em 2009, o risco de um adolescente negro, com idade entre 12 e 18 anos, ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior em comparação com os adolescentes brancos. Baseado em dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) averiguou que, em 2010, enquanto 37% das crianças e dos adolescentes brancos viviam em situação de pobreza, esse número era ampliado para 61% quando se tratavam de crianças e adolescentes negras e pardas. Por mais alarmantes que possam parecer, esses são apenas alguns dos dados que indicam a presença do racismo na origem causal da morte de jovens negros, do sexo masculino, entre 15 e 29 anos, moradores de periferias e áreas metropolitanas. Vindo ao encontro do enfrentamento da violência, o Plano Juventude Viva visa a promover os direitos dos jovens, em especial negros, buscando gerar valores de igualdade e de não discriminação, somando esforços do Estado, em diálogo com a sociedade civil, em especial no mapeamento e escuta das jovens lideranças do país.

Ouvidoria Nacional de Igualdade Racial
As reclamações ou denúncias encaminhadas à Ouvidoria dão origem a procedimentos administrativos e são agrupadas de acordo com o tema, passando por um processo de avaliação antes de serem encaminhadas às autoridades competentes. Cada caso tem um fluxo distinto a depender das características específicas, porém, em situações de racismo, a Ouvidoria acompanha os procedimentos adotados pela delegacia relacionada, assegurando o pronunciamento do Ministério Público.
Em 2016, foram registradas 422 demandas. Desse total, 326 foram denúncias, podendo ser assim categorizadas: 69 sobre violações de direitos referentes a Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Quilombolas e Ciganos; e 328 referentes a casos de racismo e injúria racial envolvendo a população negra em geral.

A Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial pode ser acionada pelo e-mail ouvidoria@seppir.gov.br e pelo telefone (61) 2025-7000.

Quem é Gabriela Cruz?
Natural de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Gabriela Cruz é Graduada em Serviço Social pela Faculdade IPA Metodista, pós-graduada em Educação pela Faculdade Santo Augusto/RS. Foi aluna cotista e suas ações em defesa da construção e implementação de políticas afirmativas e da garantia de direitos para a população negra a levaram à Coordenadoria da Igualdade Racial do Rio Grande do Sul em 2008.
Em 2016, a convite da Desembargadora Luislinda Valóis, assumiu as funções de Gerente de Projetos e Secretária Nacional de Políticas de Ações Afirmativas Substituta, Secretária Executiva do Conselho Nacional de Promoção de Igualdade Racial e Coordenadora dos Projetos de Cooperação Técnica Internacional da ONU, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ligada ao antigo Ministério da Justiça e Cidadania, hoje Ministério dos Direitos Humanos. Atualmente, exerce o cargo de Coordenadora-Geral de Promoção da Igualdade Racial.



Startups surgem como alternativa para revolucionar o mercado de trabalho

12 de Janeiro de 2018, 14:43, por Mariana Lozzi Teixeira - 0sem comentários ainda

7a74a690 1707 4cad bdb8 a03fc2213246

Pessoas com alergias, intolerâncias e outras restrições alimentares costumam ter dificuldades para encontrar a refeição apropriada em restaurantes ou mesmo escolher os alimentos adequados no mercado. Atentos a esse problema, os maranhenses Mayane Reis, de 27 anos, Betiane Silva, de 24, Emilly Martins, de 27, e João Pedro Maciel, de 20, bolaram o projeto do aplicativo Posso Comer?, que avalia se determinada comida pode ser prejudicial e também mapeia locais que oferecem cardápios para pessoas com restrições.

Com a ideia, o time levou o ouro no Desafio Universitário Empreendedor do Sebrae, que ocorreu em abril de 2017. Eles concorreram com mais de 90 mil estudantes de todo o Brasil e, após participarem de provas em jogos empresariais e oficinas, apresentaram o modelo de negócio do Posso Comer? a uma banca de jurados formada por investidores, empresários e especialistas em empreendedorismo e inovação.

Sempre tive vontade de ter uma empresa, uma coisa minha”, conta Mayane. O essencial para abrir um negócio é, na visão da estudante de ciências contábeis da Universidade Federal do Maranhão, a inovação. “É um conceito que abrange várias definições. Pode ser algo que já exista no mercado, mas você aperfeiçoa uma determinada etapa do processo e encontra aí um diferencial que é decisivo. O importante é que você faça algo diferente, para alcançar um resultado ímpar”, destaca Mayane. A jovem teve no pai, dono de um mercado, a referência empreendedora que a acompanhou desde a formação escolar até a vida universitária. Encantada com a possibilidade de, a todo momento, fazer escolhas que determinariam o futuro do seu negócio, Mayane não pensou duas vezes antes de seguir o exemplo paterno e se atirar de cabeça na oportunidade oferecida pelo Sebrae.

Alexandre Ferreira, de 24 anos, compartilha com Mayane a vontade de inovar e empreender. Estudante de engenharia elétrica da Universidade Federal do Ceará, o jovem desenvolveu, em parceria com Gustavo Barbosa, de 21 anos, Jacó Moraes, de 20, e Marcus Bezerra, de 24, um aplicativo que auxilia empresas na redução dos gastos com contas de energia. “Na empresa júnior do curso de engenharia elétrica damos consultoria para empresas reduzirem custos e aumentarem lucros. O aplicativo vem para abranger esse serviço”, explica Alexandre.

A equipe do estudante ficou em segundo lugar no campeonato promovido pelo Sebrae e, desde então, vem buscando investidores para colocá-los no circuito empresarial. “Tenho muita vontade de empreender. Estou me inserindo no mercado por meio do estágio, mas sempre de olho nas carências e demandas de públicos potenciais. Acredito que o empreendedorismo precisa ser melhor difundido para o jovem se identificar e ter o próprio negócio”, observa.

Tanto a equipe de Mayane quanto a de Alexandre se enquadram no perfil do jovem empreendedor brasileiro. De acordo com o último levantamento realizado pela Pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), em 2016, a maioria dos empreendedores no país estão na faixa etária entre 18 e 34 anos.

Segundo Rafael Ribeiro, diretor executivo na Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o perfil de quem empreende se identifica, em geral, com a figura do universitário recém-formado, da pessoa que já trabalhou em uma grande empresa e descobriu lá uma carência do mercado ou ainda de alguém que participou de uma startup e descobriu o potencial para empreender por conta própria. “O contexto de crise econômica marcada por altos níveis de desemprego pode servir como combustível para jovens que já pensavam em empreender. Eles têm consciência que entrar no mercado de trabalho pode não ser o movimento mais prudente durante a recessão, então aproveitam o cenário aparentemente desfavorável para correr riscos e investir em inovação”, avalia o diretor executivo da ABStartups, sobre a relação entre a crise econômica e surgimento de novas empresas.

 95269dd1 9488 4b11 ab5d 688a26fabe0d

Inovar é preciso

O jovem brasileiro quer ter autonomia, é conectado às tecnologias digitais e está agregando inovação ao mercado do país”, avalia Enio Pinto, gerente de Atendimento Individual do Sebrae Nacional. Ainda na visão de Pinto, o contexto de alto índice de desemprego entre a população jovem também é um fator que favorece o empreendedorismo. Mesmo assim, segundo o gerente, é característico da juventude se aventurar em negócios que podem demorar a gerar lucros, como é o caso das startups. “O jovem é muito mais movido pela oportunidade que pela necessidade. Não é empreender para sobreviver, ele quer experimentar”, destaca.

Nesse cenário de experimentações, estão as startups, que oferecem soluções inteligentes, com forte base tecnológica, em um modelo de negócios escalável, ou seja, que pode ser produzido repetitivamente e com ganho de produtividade. O que diferencia uma startup de outros tipos de negócios é o custo do investimento: em geral, as startups requerem baixíssimos custos de manutenção, porém, com potencial para crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores. Além disso, é característico de uma startup ter um grupo de pessoas investindo em um modelo de negócios de “produção em massa”, como franquias, em ambientes de grande incerteza.

Startups são investimentos de alto risco em qualquer lugar do mundo, mas, no Brasil, o risco é muito maior. Isso se deve a vários fatores, principalmente ao amadorismo e falta de planejamento, além da dificuldade de conseguir financiamento. A elevada taxa de mortalidade dessas empresas está ligada também à formação de time, escolha dos sócios e aspectos administrativos, como pensamento estratégico”, observa Rafael Ribeiro

95269dd1 9488 4b11 ab5d 688a26fabe0dSem tecnologia, sem competitividade

No ranking das 63 nações mais competitivas do mundo, o Brasil está na 61ª colocação no Índice de Competitividade Mundial 2017. Em 2016, o país estava em 57º lugar e em 2010, estava 38º lugar.

Entre os motivos da perda de posição no ranking está a falta de investimento em tecnologia e inovação, além da crise política e econômica do país. Isso porque de lá para cá, o Índice de Competitividade Mundial incluiu como critério de classificação os indicadores de tecnologia e infraestrutura. Nesse cenário, as Startups despontam como uma oportunidade para melhorar a competitividade brasileira em relação a outros países.

Fonte: International Institute for Management Development (IMD), Fundação Dom Cabral (FDC), 2017

A primeira Startup

O termo “startup” surgiu na era da internet, em que predomina a comunicação, instantaneidade e interação proporcionados especialmente pelos dispositivos móveis. No entanto, essa ideia de apostar em um negócio com pouco dinheiro, vários riscos e muita criatividade não é de agora.

Em fins da década de 1930, dois estudantes da Universidade de Stanford, na Califórnia (Estados Unidos), fundaram uma empresa na garagem de casa e, com um investimento inicial de 538 dólares (hoje equivalentes a pouco mais de 1,5 mil reais), produziram osciladores de rádio - um instrumento usado em testes de áudio por engenheiros.

Algumas décadas depois, os universitários começaram a fabricar impressoras a jato de tinta e a laser. A marca criada por eles é, atualmente, uma das mais bem-sucedidas e conhecidas no mercado: a HP, sigla para Hewlett e Packard, que são os sobrenomes dos universitários empreendedores de garagem. “Os especialistas falam que existem janelas de oportunidades para empreender e uma delas é quando se tem muita informação, conhecimento e poucos compromissos financeiros. Esse é o momento ideal para correr riscos calculados”, ressalta Enio Pinto.

Ae897d33 cdf5 4fb6 a45f 4cb262ccf893Plano Nacional de Desenvolvimento de Startups para a Juventude

Atento às tendências empreendedoras da juventude, somado ao grave contexto de desemprego no país, que se agrava entre os mais jovens, o Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Juventude, está elaborando o Plano Nacional de Desenvolvimento de Startups. Segundo Felipe Vinhas, secretário-adjunto da SNJ e coordenador do Plano, o objetivo da iniciativa é desenvolver e implementar políticas públicas voltadas para os jovens afetados pelo desemprego, além de beneficiar aqueles que têm o sonho de empreender, mas se sentem impedidos de abrir o próprio negócio devido a entraves financeiros e burocráticos.

Para que novas empresas sejam fundadas com menos riscos, precisamos de uma reformulação na educação empreendedora e de um ecossistema saudável que atraia os jovens para essas atividades”, explica Vinhas. O secretário adjunto acrescenta ainda que “além de configurar como uma tendência mundial e serem carro-chefe na geração de novos empregos e captação de investimentos ao redor de diversos países, as startups têm a função de revitalizar o mercado”.

Com uma visão semelhante, Rafael Moreira, coordenador geral de software e serviços de Tecnologia da Informação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, ressalta a importância de investimentos no ecossistema de startups por parte do Governo Federal. “O Brasil não pode almejar ser uma das maiores economias do mundo sem antes valorizar a economia do conhecimento, que inclui as startups, com foco nas de tecnologia da informação.”

O caminho para a criação do Plano de Startups, porém, não é recente. Ao longo deste ano, foram realizadas três reuniões do Comitê de Desenvolvimento de Startups para a Juventude, com o objetivo de discutir estratégias de fomento ao empreendedorismo com base em uma consultoria que elencou, em um diagnóstico, as principais dificuldades com que jovens empreendedores se deparam ao abrir empresas. O Comitê, que realizou a última reunião em 28 de setembro deste ano, era composto por representantes dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Fazenda, Trabalho, Educação, Ciências, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Confederação Nacional das Indústrias (CNI), sociedade civil, iniciativa privada e terceiro setor.

No início do mês de novembro, a SNJ abriu uma consulta pública para colher contribuições externas na elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento de Startups. A ideia é que o mecanismo garanta aos cidadãos interessados a chance de colaborar na construção das políticas para incentivar o empreendedorismo, com foco nas startups.

Com o fim das etapas de elaboração do Plano, a SNJ apresentará o texto base para a Presidência da República e Congresso Nacional. “Com esse conjunto de estratégias e ações em mãos, queremos transformar o Plano de Startups em um projeto de lei. Precisamos compreender que a retomada do crescimento econômico prescinde da participação ativa do jovem no empreendedorismo”, destacou Assis Filho, Secretário Nacional de Juventude.




Especialista em empreendedorismo dentro de comunidades carentes traça o perfil do pequeno empreendedor brasileiro

12 de Janeiro de 2018, 12:04, por Mariana Lozzi Teixeira - 0sem comentários ainda

92b520a4 f53f 4dfb bfde 3e5bd3a2eb9a

Vinicius Mendes descreve sua vida como “uma série de improbabilidades”. Professor na Universidad de Buenos Aires, ele também é autor de A Riqueza das Favelas: Empreendedorismo Entre Morros e Vielas. O livro chamou a atenção da imprensa por se debruçar sobre o perfil do micro e pequeno empreendedor em comunidades carentes. Aos 31 anos, o empresário e professor é dono de uma trajetória marcada tanto pela

necessidade de assumir riscos nos negócios como de refletir em cima da cultura empreendedora na América do Sul, continente que, segundo ele, ostenta marcas distintivas em relação a outras economias.  

Desde a infância e adolescência em Porto Alegre, em uma periferia, até a entrada no mundo do empreendedorismo com um carrinho de crepe aos 14 anos passando pela venda de filiais de uma empresa de eventos da qual era proprietário, Vinicius Mendes teve o empreendedorismo como uma constante em sua vida. Empreendedor “por necessidade”, como ele mesmo define, a vontade de compreender o próprio sucesso, assim como o sucesso de milhares de brasileiros que abrem negócios sem conhecimentos teóricos e educação formal, levou Vinicius à carreira acadêmica. Intrigado com a escassez de levantamentos e estudos sobre a economia nas favelas e curioso a respeito da dinâmica dos micro e pequenos empreendedores, o empresário gaúcho traçou perfis que escapam dos ambientes das grandes companhias e desembocam nas ruas.

O lançamento do livro By Necessity - Plano de Negócios por Necessidade retoma o debate sobre o empreendedorismo informal e propõe um plano de negócios voltado para o micro e pequeno empreendedor. A metodologia de Vinícius é acessível e leva em conta as limitações que frequentemente são impostas àqueles que empreendem por necessidade, como a falta de tempo, ausência de investimento inicial e de conhecimentos teóricos sobre marketing e administração, assim como a necessidade de retorno financeiro imediato.

Além de rodar o país capacitando empresários em favelas e periferias por meio do programa Mão na Massa, que usa da metodologia desenvolvida no livro By Necessity, Vinicius atua como consultor no Plano Nacional de Desenvolvimento de Startups para a Juventude. O Plano é coordenado pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e visa elaborar, com a participação de órgãos públicos, empresas privadas e da sociedade civil, políticas governamentais de alcance nacional. O objetivo é ajudar empreendedores em potencial a ultrapassar barreiras que os impedem de abrir o próprio negócio, como a dificuldade de conseguir financiamento, a baixa escolaridade e os entraves burocráticos.

Em uma conversa com a Revista Brasil Mais Jovem, Vinícius fala sobre a rica complexidade do empreendedorismo nas favelas latino-americanas.

 

Você começou a empreender cedo, e por necessidade. Como a sua experiência nos negócios influenciou sua trajetória acadêmica?

Minha família era de classe média baixa e meus pais tinham muita dificuldade de segurar as contas da casa. Como eu era muito consciente do aperto financeiro, não tinha coragem de pedir dinheiro, nem que fosse para comprar um refrigerante na escola. Quando eu completei 14 anos, surgiu a oportunidade de bancar essa vontade de ter bens aos quais a gente não tinha acesso. Esse início marcado pela necessidade me ajudou a reconhecer características da minha jornada em histórias de pequenos empreendedores em comunidades carentes que, sem nem considerar participar do mercado formal, dão vazão ao sonho de ascensão social. Essa percepção não só influenciou a minha vida acadêmica, como me impulsionou para ela. Eu queria entender como essas pessoas que, sem investimento inicial e conhecimentos teóricos, conseguiam abrir negócios e ser bem sucedidos, como foi o meu caso. Ficava imaginando se existiam padrões ou tendências na hora de pensar soluções, o quanto disso era sorte, habilidade e intuição.

Por que em ‘A Riqueza das Favelas: O Empreendedorismo entre Morros e Vielas’ você toma como objeto de estudo as favelas da Rocinha, no Rio de Janeiro, e a Villa 31, em Buenos Aires, Argentina?

Eu escolhi essas favelas por causa de um imprevisto que aconteceu na época que eu morava no Rio de Janeiro e era consultor da MGN Consultoria, onde trabalhei para o Instituto Unibanco em um projeto de redução do índice de evasão escolar. Um dia, ao pegar uma van informal para chegar à Barra da Tijuca, fui surpreendido quando percebi que a van não contornava a favela da Rocinha, mas passava dentro dela. Fiquei frente a frente com a primeira metralhadora que vi na vida, senti medo de morrer, os traficantes na posse das armas pediram para revistar o carro e todos os passageiros. Cerca de 500 metros adiante do ponto do tráfico, estendiam-se diante de nós filas homéricas em frente a filiais do Bradesco, da Caixa Econômica, carrocinhas de cachorro quente, lojas lotéricas, mercadinhos, um comércio muito diversificado. Fiquei impressionado com a coexistência harmônica do tráfico e de bancos a poucos metros de distância, o contraste me assustou. Tive a impressão que aquele cenário indicava prosperidade econômica e abertura para investimentos. Alguns anos mais tarde, ao chegar em Buenos Aires para fazer o mestrado, aconteceu uma situação parecida, decisiva para a minha trajetória. Tomei um táxi que passou por uma cidade interminável, com pequenas casas emendadas. Perguntei que cidade era aquela, ao que o motorista respondeu, impressionado com a minha ingenuidade: “Não é cidade, essa é a Villa 31”. O tamanho daquela favela me estarrecia, fiquei me perguntando: ‘Será que ela é igual à Rocinha? Será que aqui tem filial de banco e de fast food?”. Foi a partir dessas indagações que decidi fazer um estudo comparativo entre as duas comunidades, que se destacam por serem as maiores favelas da América Latina.  

Há aproximadamente 200 mil favelas no planeta e 827 milhões de pessoas que as habitam, sendo que, até o ano de 2050, a previsão é de 3 bilhões de moradores. Como você entende a escassez de estudos e pesquisas sobre esses ecossistemas empreendedores?

Acredito que do ponto de vista da academia, comunidade científica, poder público e iniciativa privada, é mais fácil ou mais cômodo produzir conhecimento excluindo quase 40% da população da América Latina. Os outros 60% possui, comprovadamente, mais poder aquisitivo, e, justamente por isso, qualifica como um ‘objeto de estudo’ mais lucrativo, com retorno financeiro certo. Quanto ao poder público, os 40% mais pobres não têm poder perante a mídia, nem contatos influentes para cobrar de governantes e formadores de opinião que se manifestem perante essa parcela da população. Os pesquisadores e as instituições de ensino e pesquisa não se sensibilizam para esses temas porque se trata de uma necessidade silenciada. Essa parcela da população é constantemente evitada porque não é vista como fonte potencial de riqueza, sim de problemas. Grande parte dos estudos e levantamentos oficiais restringem a favela ao recorte da violência, pobreza e das atividades criminosas, como se esses aspectos bastassem para entender a situação em toda sua complexidade. Praticamente inexistem estudos acadêmicos e científicos sobre aspectos considerados positivos dentro dessas comunidades. É assustador dizer que, hoje, não existe nenhum órgão nacional encarregado exclusivamente de produzir dados sobre essas questões. Caso houvesse esse entendimento ficaria mais fácil apontar com precisão quais ferramentas poderiam ser criadas pela iniciativa privada e pelo poder público para incentivar moradores de comunidades carentes a ascender financeiramente e, de quebra, aquecer a economia.

4. Qual o perfil do empreendedor ‘por necessidade’?

O empreendedor por necessidade é criativo, com pouca técnica e escasso conhecimento em relação ao mundo dos negócios. Ou seja: ele desenvolveu habilidades específicas em algum ofício, mas não sobre o ecossistema que cerca esse ofício. Esse perfil de empreendedor não costuma ter investimento inicial e, quando tem, são valores baixos, oriundos de rescisões de empregos anteriores ou de ajuda familiar. São pessoas de classe baixa, algumas de médio-baixa e iniciam empreendimentos para sanar necessidades básicas, como alimentação. A figura do empreendedor por necessidade é marcada pela perspicácia e resiliência, porque eles são extremamente adaptáveis. Pelo que observei ao longo do desenvolvimento da pesquisa, alguns deles acreditam que só vão mudar a partir de suas atitudes, e não de ações do poder público e da iniciativa privada. Em contrapartida, o investidor com maior carga de conhecimento técnico e teórico vislumbra empreendimentos com investimento inicial médio ou alto e pensa a partir de uma equipe, não considera trabalhar sozinho.

Como podemos ter uma ideia da dimensão do impacto dos micro e pequenos empreendedores na economia?

Estamos falando de um impacto de aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Essa é a análise econômica, mas, a nível de desenvolvimento social, existem aspectos que não podem ser ignorados. Ao pensar em uma criança que começa a enxergar as possibilidades de futuro e a sonhar, basta que ela olhe para o lado e vislumbre as opções de atividades ilícitas para poder construir um conceito diferente de sonho. Dentro de comunidades carentes, são numerosos os exemplos de pessoas que ascenderam socialmente de formas ilegais, e isso passa uma mensagem. Com as referências de micro e pequenos empreendedores nas figuras de pais, amigos e parentes, as crianças e os jovens em idades decisivas se veem diante de novos sonhos e horizontes, o que representa uma chance real de diminuição da violência. O surgimento desses empreendimentos gera cada vez mais empregos e garante a autonomia e emancipação da juventude. Essas possibilidades, por sua vez, acarretam no aumento da iniciativa dos jovens de buscar qualificação técnica e profissional.  

A ideia de inovação nos negócios é relacionada com recorrência ao conceito de Startups. Quem é o ‘empreendedor de Startups’ e como ele se diferencia do perfil do empreendedor brasileiro?

Esse perfil de empreendedor busca a escala imediata do seu produto ou ideia de negócio. Já na fase de modelagem, ele pensa na escalabilidade e no investimento necessário, e procura investidores para financiar a empreitada. O empreendedor de Startup alinha o seu pensamento à necessidade de escala e, consequentemente, de inovação e tecnologia, visto que é difícil garantir a primeira sem as outras duas. Em geral, esse não é o perfil do empreendedor brasileiro -- somos mais tradicionais. A partir do momento em que altos investimentos, tecnologias e escalabilidade são requisitado, o empreendedor brasileiro de perfil tradicional não se vê contemplado pela lógica das Startups. As razões variam desde a falta de tempo para o planejamento até a falta de contatos no ramo e de conhecimentos técnicos e teóricos. Ele se vê desde o início excluído desse circuito, sua lógica operacional é outra. Imediatistas, os nossos empreendedores precisam ter retorno a curto prazo, porque são movidos pela necessidade imediata.   

Você também é autor do programa ‘Mão na Massa’ e roda o país capacitando empreendedores de baixa renda. Como funciona o modelo de negócios que você propõe aos seus alunos?

O programa Mão na Massa tem por base um modelo de negócios que foi testado durante quatro anos da Argentina, em universidades onde eu leciono. Resumidamente, eu desenvolvi uma metodologia para ensinar pessoas com baixo ou nenhum conhecimento técnico e teórico a montar planos de negócios a longo prazo e gerir empresas com responsabilidade financeira. Escrevi de forma ‘simples’ alguns conceitos do mundo do marketing e das finanças, queria aproximar conhecimentos acadêmicos e teóricos da realidade de quem é movido ao empreendedorismo por necessidade. Testei a metodologia no Morro do Cantagalo, no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano e 70% dos alunos da primeira turma abriram empresas antes que o curso tivesse terminado. Na segunda turma, fiz com que os alunos desenvolvessem planos de negócio e durante 90 dias e encarreguei os consultores do programa a acompanhar pessoalmente o andamento das empresas e realizar consultas mensais. Nas outras turmas tivemos pelo menos 50% de aproveitamento, com a abertura de empresas que começaram a lucrar em menos de 30 dias.  

Qual o papel da juventude na criação e desenvolvimento de novas empresas?

Nos tempos atuais, o grande papel de juventude na criação e desenvolvimento de novas empresas é fomentar ideias inovadoras visando negócios sustentáveis, empreendimentos que consigam pensar além da venda e da lucratividade imediata. Precisamos de jovens que se perguntam constantemente: “Como isso afeta a sociedade a médio e longo prazo? Nós vamos prejudicar o nosso meio? Quem será impactado por essa venda? Esse impacto é positivo em quais pontos? E negativo?”. O jovem de hoje, diferente de gerações anteriores, tem uma capacidade de discernimento oriunda de erros cometidos no passado e é capaz de pensar coletivamente, porque entende que as consequências de uma ação mercadológica agressiva e imediata podem ser catastróficas e gerais.

Quais características são consideradas típicas da juventude dentro do empreendedorismo?
A ansiedade é a primeira característica que me vem em mente (ri). Ao mesmo tempo em que ela pode atrapalhar na modelagem de um negócio, é importante e positiva no ponto em que serve como combustível emancipador da juventude. O jovem não se amedronta por desafios ou pela burocracia envolvida neles, e isso se deve ao espírito aventureiro, que está intimamente ligado à vocação para empreender. Essa ousadia pode ser positiva, visto que existem momentos em que é necessário arriscar, sair da zona de conforto, mas também pode ser prejudicial quando a situação exige prudência. A facilidade com as conexões --- sejam elas online ou offline, visto que são ambas imprescindíveis no mundo dos negócios, mas de maneiras diferentes -- também é uma qualidade distintiva dessa geração. Acredito que essa sede de comunicação, de contato, seja um dos maiores atributos da juventude, e que ela pode trabalhar a seu favor no início de uma trajetória no empreendedorismo. A forte presença nas mídias sociais e em ambientes virtuais, por exemplo, compreende as demandas de um mundo globalizado, com processos muito diferentes daqueles que regiam o comércio e a indústria há apenas algumas décadas e pode ser um indicativo de sucesso, se feito de maneira inovadora.   



Conheça a história de Buh D’Angelo, a jovem de 23 anos que ganhou um prêmio do G20

8 de Janeiro de 2018, 11:39, por snjuventude@gmail.com - 0sem comentários ainda

A88b0de7 4f4a 4ebb 98e5 32f2ed3a7742

Em menos de três anos de funcionamento, a InfoPreta ganhou as manchetes de jornais brasileiros e venceu prêmios internacionais na luta pela erradicação do preconceito no mundo empresarial

 

Em agosto de 2015, Buh D’Angelo dos Santos, 23, não desconfiava que a sua vida estava prestes a mudar. Dentro de menos de um ano, seu nome seria destaque em sites e revistas como o Huffpost Brasil, El País e Pequenas Empresas & Grandes Negócios, nas emissoras Rede Globo e MTV, além de sair na imprensa internacional. Naquela época, porém, Buh nem desconfiava que havia acabado de fundar a empresa que se tornaria um dos empreendimentos mais comentadas de 2017, tampouco que a repercussão desse trabalho faria do seu nome sinônimo de empoderamento e inclusão social para muitos moradores da periferia de São Paulo.

“Eu sempre fui muito à margem, muito diferente das pessoas com quem convivia. Ser mulher, negra e estar inserida no universo da tecnologia fazia de mim um ETzinho aos olh os dos meus colegas e do mercado de trabalho”, conta Buh, em uma tarde de agosto deste ano, enquanto examinava um computador na bancada diante de si e removia parafusos com a minúcia de um cirurgião que começa um procedimento de risco. Do outro lado do balcão, uma fila de mulheres esperava atendimento com laptops e computadores entre os braços, aglomeradas na pequena loja da Rua Brigadeiro Tobias, no centro da capital paulista.

Em outubro de 2015, a InfoPreta ganhou vida e entrou para as estatísticas de novas empresas brasileiras. Ela tinha, porém, um diferencial: os seus serviços seriam direcionados para o público feminino e o quadro de funcionários seria composto por mulheres negras, trans, homossexuais ou jovens em situação de vulnerabilidade. Essas particularidades não surgiram, porém, como consequência de cálculos estratégicos e de planos de negócios, mas da experiência pessoal de Buh. “O empreendedorismo da pessoa negra sempre nasce da vivência dela. Eu senti na pele os preconceitos velados e a exclusão a que as mulheres - com ênfase nas de cor - são submetidas, principalmente no ramo de Tecnologia da Informação (TI)”, explica a empresária.

Formada em eletrônica, automação industrial, manutenção, tecnologia da informação e robótica, Buh D’Angelo começou a acumular certificados de cursos técnicos aos 16 anos, quando descobriu que a sua curiosidade se transformaria em uma carreira. Ansiosa para entrar no mercado de trabalho e exercer a profissão, Buh se lançou no máximo de programas de estágio em que podia se inscrever. A realidade, porém, mostrou-se distinta dos seus ideais de profissão. “Uma vez, me contrataram para um estágio em eletrônica, mas não passaram nenhuma demanda relacionada à área para mim, enquanto os outros estagiários eram confiados com tarefas mais técnicas. Afoita para trabalhar, eu perguntava se tinha algo que eu podia fazer. Mais de uma vez, disseram que, se eu queria trabalhar lá, podia limpar os banheiros”, lembra, sobre os abusos institucionais.

A desilusão profissional acarretou em uma crise depressiva da qual Buh levou um ano para se recuperar. A desconfiança e a sensação de despertencimento, por outro lado, nunca sumiram completamente, e acompanhariam a empresária daquele ponto em diante. O racismo velado que havia sofrido durante as aulas dos cursos técnicos e em estágios profissionalizantes se misturaria com a vivência de preconceitos relacionados ao gênero. Essas experiências criaram, para a fundadora da InfoPreta, uma nova perspectiva de serviço e de atendimento em TI: “A assistência técnica é uma área que tem o machismo encruado em si. Essa cultura de subestimar o conhecimento do público feminino causa apreensão em muitas mulheres que dependem de uma assistência especializada para consertar um celular ou computador. Elas têm medo de serem roubadas, enganadas e até assediadas”, opina Buh, sobre as deficiências do setor.

Sem emprego e com diplomas acumulados sobre o criado-mudo, Buh se oferecia para consertar computadores de amigos no Facebook. O preço era flexível: “Eu aceitava como pagamento aquilo que tinham para oferecer. Quando a pessoa precisava muito da máquina para estudar ou ganhar a vida e não tinha como me dar um tostão pelo conserto, eu fazia de graça”, lembra, sobre os primeiros passos da InfoPreta.

- Buh, você sabe se as peças que a gente pediu chegaram?

- Senhora, seu laptop ficará pronto amanhã!

Duas vozes se sobressaem no frenesi costumeiro da assistência técnica da Rua Brigadeiro Tobias. São Danielle Esli Lourenço e Mônica Sousa, sócias de Buh D’Angelo e responsáveis por tocar o empreendimento junto à colega. Desenvolvedora de softwares e programadora, Mônica, de 25 anos, compartilhou com Buh muitas das vivências fundamentadas em preconceito de gênero na área de TI que marcaram a experiência da sócia. Hoje, ela também é responsável pelo conserto de computadores e, junto aos outros funcionários, realiza o atendimento dos mais de 50 clientes fixos da InfoPreta.

Já Danielle, de apenas 20 anos, fica responsável pela divulgação da loja nas redes sociais e por toda gestão de conteúdo, além de cuidar da área administrativa. “No começo não era assim, a nossa popularidade cresceu muito rápido”, lembra. Hoje, o empreendimento acumula mais de 13 mil curtidas no Facebook e se comunica com pessoas em diversas regiões do país. “É difícil acreditar que, até um ano atrás, a InfoPreta era praticamente desconhecida”, pondera Danielle, pensativa.

O frenesi teve início em agosto de 2016, quando Buh usou as redes sociais para divulgar que o foco do serviço da loja é o atendimento às mulheres e o objetivo da empresa é empregar profissionais para quem faltam oportunidades no mercado de trabalho. A postagem logo viralizou e, desse momento em diante, a InfoPreta passou a ser procurada por jornais e revistas ao redor de todo país. Todos queriam saber mais sobre a tal assistência técnica que havia ganhado as manchetes. “Tinha gente que passava aqui só porque queria nos conhecer ou tirar uma foto com a gente, não precisavam de consertar nada”, lembra Danielle, e ri.

Apesar de voltar a divulgação do serviço para mulheres negras ou em situação de vulnerabilidade, a InfoPreta não nega atendimento a ninguém. “Temos ótimos clientes do sexo masculino, mas já passamos por situações no mínimo desagradáveis”, conta Danielle, e acrescenta que a postura masculina em relação aos serviços das jovens é, geralmente, de desconfiança. “No mercado de exatas, as mulheres estudam mais do que os homens, de acordo com a minha experiência. Estamos constantemente na defensiva, em uma posição de reafirmação que é muito cansativa. É como se os nossos esforços só fossem validados com o reconhecimento dos clientes masculinos, que têm muita resistência para aceitar que esse espaço seja ocupado por mulheres, ainda mais as negras, da periferia e com orientação de gênero e sexualidade que foge dos padrões”, opina. Para a gestora de conteúdo, o estranhamento causado pela sua atuação na área de TI é fundamentado na predominância de homens no ramo, até hoje considerado masculino.

DESIGUALDADE EM NÚMEROS

Uma pesquisa realizada em 2015 pela empresa de recrutamento global Harvey Nash revelou que mulheres representam apenas 8% dos gestores em TI do mundo. No estudo, quase 4 mil CIOs - funcionários responsáveis pela parte de TI da empresa, do inglês - foram consultados em 30 países diferentes, e os resultados foram alarmantes. Com o levantamento, concluiu-se que menos de um terço dos funcionários de uma empresa na área de tecnologia são mulheres e que apenas 7% delas chegam a cargos de liderança.

COLHENDO OS FRUTOS

Uma vez a cada 15 dias, a pequena assistência técnica na rua Brigadeiro Tobias é tomada por uma movimentação ainda mais frenética que a habitual. Diante da fachada da InfoPreta, enfileiram-se dezenas de jovens que aguardam o abrir das portas da loja na esperança de avançarem até o balcão, onde uma equipe de sete pessoas se desdobra para dar conta do público crescente. Antes do fim do dia, várias daquelas mulheres vão para casa com laptops entre os braços.

Quando criou o projeto Note Solidário, Buh D’Angelo não imaginava o quão popular e desafiadora a iniciativa se tornaria. Baseado na ideia de ‘empreendedorismo social’, que une os ideais de crescimento de uma empresa ao desenvolvimento da comunidade na qual ela atua, o Note Solidário surgiu como filho único da InfoPreta. “Funciona assim: nós promovemos campanhas nas mídias sociais e pedimos para que as pessoas que têm laptops que não funcionam não os descartem, mas doem para a gente. Nós recolhemos esses computadores e investimos o tempo e os recursos necessários para que eles voltem a funcionar normalmente. Depois do conserto, doamos as máquinas para jovens de comunidades carentes que precisam delas para estudar e promover sua capacitação profissional”, explica Danielle Esli Lourenço, sobre a ação solidária que iniciou junto à sócias.

“Mas se engana quem pensa que é simples ganhar os computadores”, acrescenta a gerente administrativa da InfoPreta, sobre as condições impostas pela empresa para evitar fraudes. Danielle explica que, para ser beneficiado pela iniciativa, o jovem precisa comprovar que tem perfil baixa renda, recebe ajuda de programas sociais e está matriculado em alguma escola, universidade ou curso técnico. Além disso, ao fim de todo bimestre os beneficiados devem compartilhar seu desempenho acadêmico ou escolar com as sócias da loja, e, assim, comprovar que a máquina está sendo usada para fins educacionais. “Nós tomamos muito cuidado para evitar casos de falsificação, não queremos doar computadores para pessoas que têm condição de comprá-los em detrimento de alunos que realmente dependem desse recurso para se formar”, conta Danielle.

Desde sua implementação, o Note Solidário já beneficiou mais de 60 estudantes. A iniciativa atingiu o auge da popularidade em abril deste ano, com o prêmio Wommen 20 Summit 2017, promovido pelo G-20, grupo das 20 maiores economias do mundo.

A premiação tem como objetivo promover a inclusão das mulheres no mercado de trabalho e garantir independência digital e financeira ao redor do mundo, em busca por equidade de direitos e oportunidades entre os gêneros. Representante do Brasil, a InfoPreta foi premiada com o terceiro lugar na competição. A cerimônia foi sediada em Berlim, na Alemanha, com a participação de Angela Merkel, presidente do país e líder do grupo de nações.

“Foi algo na ordem dos sonhos, tudo muito surreal, desde o recebimento do convite até o momento em que subimos no palco e apertamos a mão da presidente da Alemanha”, lembra Buh D’Angelo, sobre o dia mais importante de sua vida. O reconhecimento internacional permitiu que a fundadora da InfoPreta retornasse para a loja no tumultuado centro de São Paulo ainda mais motivada a tocar a empresa e as iniciativas sociais. “Eu, como mulher negra em um cargo de liderança, acabo tendo muita projeção e, com isso, muita responsabilidade. Além de oferecer o melhor produto possível aos nossos clientes, nós trabalhamos para promover oportunidades para que cada vez mais mulheres negras não estejam apenas empregadas, mas atuem nas suas áreas de escolha e não tenham seu crescimento barrado pelo racismo estrutural e pelo machismo que permeia a cultura empresarial”, diz Buh.